Escrevendo memórias de um coração que nunca deixou de sentir
Cláudia Virgínia Hirsch Kopp
Psicopedagoga
C A de útero (Carcinoma)
Hoje escrevo sem reservas, sem máscaras, sem medo de ser inteira. Porque minha história nunca foi feita de metades, eu sempre amei por completo. Amei demais, sofri demais, lutei demais… e vivi intensamente cada capítulo que Deus colocou diante de mim.
Sou mulher. Sou Mãe da Keila. Avó da Valentina e do Pedro. Sou esposa há mais de 30 anos. Mais de três décadas construindo uma vida a dois, aprendendo que o amor verdadeiro não é feito apenas de romantismo, mas de escolha diária, de permanência, de parceria. Trinta anos de cumplicidade, de desafios vencidos, de silêncios compreendidos, de mãos dadas mesmo quando o caminho parecia incerto.
Sou profissional. Psicopedagoga. Cuido de histórias, acolho dores invisíveis, ajudo a reconstruir caminhos de aprendizado enquanto também reconstruir os meus.
E então, em meio à rotina da vida, veio o diagnóstico: C A de útero. Carcinoma. Uma palavra que ecoa forte, que assusta, que atravessa a alma antes mesmo de tocar o corpo. Foi impossível não sentir medo. Mas também foi impossível deixar de sentir fé.
O câncer não apagou quem eu sou. Não diminuiu a mulher que amou demais. Pelo contrário — ele revelou minha força, minha fragilidade, minha humanidade. Ele me ensinou que sentir é um privilégio. Que acordar é um presente. Que amar é resistência.
Escrevo estas memórias com o coração aberto porque nunca deixei de sentir. Nem a dor, nem a alegria. Nem o medo, nem a esperança. Cada cicatriz carrega uma história. Cada lágrima lavou um pedaço de mim para que eu pudesse renascer.
Se hoje abro a porta do meu mundo, é porque entendi que minha história pode tocar outras vidas. Que amar demais nunca foi um erro, foi sempre a minha maior coragem.
E enquanto meu coração bater, ele continuará fazendo o que sempre soube fazer: sentir, lutar e amar… intensamente.

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