A Tinta que Floresce

Flores nascendo de páginas molhadas.

Escrevo com o corpo atravessado por agulhas
e a alma atravessada por perguntas.

Escrevo nos intervalos da quimioterapia,
nos silêncios do medo,
nas pausas da espera.

Transformação não é metáfora
é pele que aprende outro toque,
é espelho que devolve outra mulher,
é identidade que se refaz em camadas invisíveis.

Resiliência não é dureza.
É delicadeza que insiste.
É flor que nasce em solo improvável.

Coragem, às vezes,
é só respirar fundo
quando tudo parece desabar por dentro.

Fé não é certeza.
É fio fino de luz
atravessando a madrugada mais longa.

E gratidão…
ah, a gratidão se revela
no gosto do café que ainda tem sabor,
no abraço que ainda aquece,
no dia comum que se torna milagre.

Escrevo para mulheres atravessadas pela dor
Mas fecundas de esperança

Mulheres que carregam cicatrizes
como mapas sagrados.
Que aprendem a dançar
mesmo quando a música é feita de incertezas.

Aqui, a doença não é sentença.
É travessia.

E no meio do caos,
ainda floresce sentido.

Porque enquanto houver batimento,
há poesia.
Enquanto houver fôlego,
há recomeço.

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