Diário da Alma – A Quimioterapia do Amor

A Página em Branco:

“Escrever é um ato de coragem”…
Em silêncio Clarice Lispector me diz essa frase.
O gesto parece simples: abrir uma página, puxar a caneta.
Mas algo pulsa ali.
Algo que não sei nomear;

Ela continua num silencio barulhento a me dizer:

“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.” — Clarice Lispector

A página me observa.
Como se soubesse mais sobre mim do que eu mesma.
E eu sinto.
Sinto o coração apertar.
Sinto que vou atravessar a consciência e talvez me perder.

Mas é isso que preciso.
Atravessar.
Sentir.
Escrever.
O silêncio entre as palavras é tão denso que parece respirar junto comigo.

— O Amor Exagerado

Eu amei demais.
Demais para o mundo, talvez.
Demais para mim…
Demais para esperar retorno.

“Eu escrevo para que me aconteça.” — Clarice Lispector

Nesta minha escrita, tudo se revela.
O amor, a ingenuidade, a entrega.
Tudo se transforma em palavras.
As palavras se transformam em silêncio que limpa.
Cada frase é uma pequena quimioterapia da alma.

Fragmento:
Amar demais não é erro.
É condição humana.
E aceitar isso é primeiro passo para perdoar-se.


— Confronto com a Verdade

As versões de mim se encaram:
a que mostro,
a que escondo,
a que apenas existe em silêncio.

“O que verdadeiramente somos não se deixa ver.” — Clarice Lispector

Escrever é coragem.
Coragem de olhar e não fugir.
Coragem de sentir.

Interlúdio poético:
O passado murmura entre as linhas.
O amor antigo respira e me observa.
Não mais para me ferir.
Mas para ensinar.

Fragmento:
A dor se dissolve em consciência.
O excesso de amar se transforma em luz.


— Liberdade e Perdão

Perdoar-se é ato de coragem silenciosa.
Perdoar o amor que se deu demais.
Perdoar-se por ter se entregado inteira.

“Libertar-se é cortar os próprios laços, mesmo os invisíveis.” — Clarice Lispector

Essa escrita me devolve a mim mesma.
Meu corpo, meu peito, meu silêncio.
A memória antiga observa, mas não aprisiona.

Fragmento:
O perdão não chega como bomba.
Chega como suspiro.
Como a primeira respiração após o mergulho.


— A Transformação

O amor que feriu também fortalece.
O que parecia destruição, era criação silenciosa.

“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.” — Clarice Lispector

Escrever é atravessar a ferida, sentir, olhar, aceitar.
Aprender a amar de novo.
Não como antes.
Mas com cuidado.
Com consciência.
Com liberdade.

Interlúdio poético:
Escrever se torna espelho.
Escrever se torna abraço.
Escrever se torna remédio.


— Movimento Contínuo

A escrita não tem fim.
A cura não tem fim.
A escrita não é apenas palavras:
é atravessar a consciência.
É abraçar a própria existência.

“Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou pesada como a própria morte. Depende de você.” — Clarice Lispector

Fragmento:
Cada página escrita é um passo.
Cada pausa, um respiro.
Cada silêncio, uma verdade.

Interlúdio poético:
Aprender a existir inteira, vulnerável, humana.
Aprender que amar não é se perder.
É atravessar, tocar, sentir.


— Reconciliação

O amor de mais de 30 anos permanece.
Mas agora observo.
Com olhos suaves.
Com coração paciente.

“Eu sou inteira, inteira e inteira.” — Clarice Lispector

Fragmento:
A escrita me devolve à mim mesma.
Ao meu corpo, à minha consciência, ao meu silêncio.
Escrever, perdoar, amar — tudo é o mesmo movimento.

Interlúdio poético:
E eu me encontro entre palavras.
Entre pausas.
Entre respiros.


— Entrega Final

Rendo-me ao fluxo.
À escrita.
Ao amor.
À vida inteira.

“Renda-se. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.” — Clarice Lispector

Fragmento:
A página em branco não é vazia.
É abrigo.
É remédio.
É meu lugar para existir, inteira, leve e profunda.

Publicar comentário